quinta-feira, 24 de abril de 2008

Nua Flor

Nua,
Te contemplo de modo transcendente
Nessas realidades de encantos sem cores,
Onde tudo é verdade transparente
Como os olhos dos seres sem amores.

Nesses caminhos que percorres voando,
As cortinas indolentes ondulam tuas curvas
E salientam tua pele dançando
No vácuo da avenida
De cores turvas.

Nesse jardim cinzento,
Te sinto sublime
Como uma única cor
Soprada no vento
Que te leva, num vazio de tormento,
À uma dimensão colorida
(ao mundo da minha vida),
Onde cheiros e sabores
A ti serão servidos
Nas pétalas dos teus gemidos.

Vens esbanjando no rebolar dos teus quadris
A sensualidade de desejos sutis
Que revelam abstratamente
Tua vontade de beijar intensamente
As dores dos meus jardins.

Nua,
Vens florescendo no jardim das tuas madeixas
O calor da tua intemperança,
Onde habitam as imagens pervertidas
(Fruto controvertido e confuso das minhas queixas),
Que reacendem as chamas introvertidas
Das cinzas de minha esperança.

Quando nua vens em minha direção,
Transpassas a fragilidade da minha alma,
Deixando nas angústias do coração
Canduras no meu peito,
Ternuras do teu eu insuspeito,
Incitando-me o desejo de uma paixão,
Cuja natureza assassina,
Instiga fantasias de volúpias depravadas
Em minha infértil imaginação,
Que engendra ondas de uma canção
Na calada da treva da madrugada.

Nua,
Vens severa,
Intensa como a fera
Escondida numa virgem bela,
Desarrumando meus sentidos,
Ferindo com os espinhos de uma flor banida
Meus pensamentos em loucura distorcida,
Onde predominam todos os instintos
Embriagados de luxúria
E prazeres desmedidos;
Onde reinam as injúrias
De crimes brutalmente cometidos
Como a tua imagem nua,
Transcendentalmente criada
Em forma de carne crua
Cruelmente a ser devorada
Por lobos em noite de lua.

És como te construo,
No reflexo da lua cheia,
Na arquitetura rústica das minhas antropofagias
Salpicadas de orgasmos densos,
Onde és presa do sacrifício das minhas orgias
Porque és deusa sem amor,
Nua em flor,
Nas verdades das minhas fantasias.


NILSO EVARRO MERCRI
EM: 14/04/2008
ÀS 01:22h.

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